terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Asilo político para Joseba - Por Asier Altuna



Artigo publicado dia 25 de Fevereiro na CARTA MAIOR 

Asilo político para Joseba Gotzon Vizán
Assine a petição: http://tinyurl.com/liberdadeajoseba

Asier Altuna
Joseba Gotzon Vizán, preso recentemente no Brasil, é um lutador basco como outros tantos que nos últimos 50 anos têm travado a luta como única forma de defender direitos violados. Ele teve que ir embora de sua terra natal por motivações políticas. Entre outras razões, pelo risco real de ser detido, torturado e encarcerado durante longo período. Por Asier Altuna

Após ler o artigo de Mauro Santayana, “Terror e o terror”, gostaria de agradecer ao Sr. Mauro pelo magnífico artigo publicado.

“Guernica não bastou para eles” é o títutlo do extenso trabalho realizado pela fundação basca Euskal Memória (**), que recolhe todos os dados sobre a repressão sofrida pelo País Basco por parte dos Estados espanhol e francês. 

É neste contexto que deve se situar a luta política e armada que tem ocorrido no País Basco nos últimos 50 anos. A luta de um povo para obter direitos democráticos que lhe pertencem como nação e que foram violados primeiro pelo regime franquista e depois pela transição ao regime monárquico-constitucionalista.

Joseba Gotzon Vizán é um lutador basco como outros tantos milhares de lutadores que nos últimos 50 anos tem travado a luta como única forma de defender esses direitos violados. Joseba Gotzon teve que ir embora de sua terra natal por motivações políticas. Entre outras razões pelo risco real de ser detido, torturado e encarcerado durante longo período.

Queremos lembrar, nestes dias, que em 13 de fevereiro se completaram 32 anos da morte, em uma delegacia sob torturas, do militante basco Joxe Arregi. Nestes 50 anos, 13 bascos foram assassinados sob tortura no estado espanhol e estima-se que mais de 9600 pessoas foram torturadas.

Nos últimos anos ocorreram mudanças substanciais no panorama político basco:

A profunda reflexão do movimento independentista e de esquerda basco (Izquierda Abertzale) para abrir um novo cicli pela via política e democrática, junto com o amplo apoio do povo basco a todas essas mudanças. Isso possibilitou passos unilaterais pelo caminho da paz.

A participação da comunidade internaciona: destacados líderes internacionais – Koffi Annan, Jonathan Powell, Gro Harlen Brundtland – tornaram pública em outubro de 2001 a Declaração de Aiete (***), que define um caminho válido para a superação do conflito basco. Recentemente a organização armada ETA decidiu encerrar sua atividade armada.

Todos esses elementos novos possibilitaram que o povo basco, a sociedade basca, viva com uma ilusão renovada a possibilidade de terminar de uma vez por todas com o conflito político-armado dos últimos 50 anos de uma maneira ordenada. Em troca, os estados espanhol e francês estão colocando todos os impedimentos possíveis para que esse processo político e de paz basco chqgue a bom termo.

O Estado espanhol ainda mantém vigentes todas as leis excepcionais, leis feitas had hoc para golpear os lutadores bascos. Hoje em dia há mais de 600 presos políticos bascos disperos por diferentes prisões do Estado espanhol e francês. Cabe lembrar que no último dia 12 de janeiro mais de 115 mil pessoas saíram às ruas para mostrar seu rechaço às políticas que os estados espanhol e francês adotam em matéria de presos.

A detenção de Joseba Gotzon deve ser entendida neste contexto, do mesmo modo que outras detenções de militantes bascos que estão ocorrendo nos últimos tempos. Não é tempo de detenções, mas sim de soluções. Assim demanda o nosso povo.

Por isso pedimos a libertação imediata de Joseba e a concessão de asilo político para ele no Brasil. Joseba tem direito a continuar levando sua vida normal junto com sua mulher e sua filha no Brasil. Se for extraditado para o Estado espanhol ele corre o risco de ser torturado.

(*) Responsável da Izquierda Abertzale para a América Latina

(**) A Fundação Euskal Memória começou sua trajetória em novembro de 2009, com o objtetivo de recuperar e reconstruir nossa memória e com um duplo compromisso frente a isso. Por um lado, desenvolvendo um trabalho de divulgação e, por outro, no plano documental, dando passos firmes na direção de um Centro de Documentação permanente. (http://www.euskalmemoria.com/sect/es_ES/4000/Inicio.html)

(***) Declaração de Aiete (http://aiete.org/es/)

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

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